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Estudante goiano consegue bolsa de R$ 1,3 milhão para estudar nos EUA

João Victor Ataides Marques estudou em escolas públicas até o primeiro ano do ensino médio, que concluiu em colégios particulares com bolsa


Movido pela curiosidade em uma rotina que concilia estudos, livros, séries, jogos de videogame, projetos sociais e trabalhos voluntários, o goiano João Victor Ataides Marques, de 18 anos, usou seus esforços diários para transformar “sonho fantasioso” em realização. Ele acabou de ser aceito com uma bolsa no valor de R$ 1,3 milhão na New York University (NYU), uma das universidades mais tradicionais dos Estados Unidos.

“Quero estudar muito e voltar para o Brasil com um projeto educacional interessante para ajudar as pessoas a se desenvolverem. Vou inspirar pessoas a discutirem educação e a importância das ciências humanas para o desenvolvimento”, afirma João Victor, em entrevista ao Metrópoles. Ele diz ter buscado mais seu sonho após participar de uma feira em Brasília, onde conheceu de perto a realidade de pessoas que estudam fora do país.


No currículo, ele apresentou cursos de dança e música, projetos sociais dos quais participou e a iniciativa batizada de CRC Project, que criou com nove amigos com o objetivo de divulgar cultura, folclore e educação. Também mostrou o resultado de uma pesquisa sobre a ditadura no Brasil, com foco em Goiás, concluída no final de 2021 e apresentada junto a Scholar Launch, que reúne professores das principais universidades do mundo.


Rede de apoio

No entanto, até conseguir a bolsa, que corresponde ao período de quatro anos com alimentação e moradia, João Victor percorreu longo caminho desde a infância, com apoio da mãe, a psicóloga Thaís Susana, de 43; do pai, o comerciante Gidean Marques, de 46; e do irmão, Gidean Lucas, de 15. O jovem estudou em escolas públicas e apenas concluiu os dois últimos anos do ensino médio em colégios particulares, também com bolsa, aos 16 anos.


“Em cada escola, tive ótimos professores e incentivadores, que foram muito importantes para eu chegar até aqui”, ressalta João Victor, lembrando que manteve acesa a vontade de estudar fora para conhecer outras culturas. “Sempre tive muito interesse em estudar nos Estados Unidos, mas vivia aquele sonho fantasioso, imaginando que minha vida poderia ser como eu via nas séries”, acrescenta.

“Currículo flexível”

Nos Estados Unidos, o estudante não precisa escolher o curso ao entrar na universidade. João Victor vai iniciar com estudos diversos, mas quer focar em estudos para discutir como o ser humano atua e transforma seu ambiente. “O currículo é flexível pelo menos nos dois primeiros anos e depois você decide o curso que quiser. No caso da NYU, vou cursar estudos liberais, que inclui psicologia, neurociência, antropologia e arte em geral. Depois, decidirei”.

Nascido em Goiânia, João Victor mudou, aos 5 anos, com a família, para Matrinchã, no noroeste de Goiás, a 253 km da capital, por causa do trabalho de seu pai. Depois, na adolescência, voltou para a cidade natal, onde estudou do sétimo ano do ensino fundamental até o primeiro ano do ensino médio no Colégio Estadual da Polícia Militar Polivalente Vasco dos Reis. Os anos seguintes foram cursados em instituições particulares com bolsa parcial.


“Quando entrei no ensino médio, percebi, de fato, que era possível estudar no exterior, claro que não daquela forma fantasiosa, de sonho americano que todo mundo fala e que é mostrado na indústria da arte. Assim, eu comecei a focar ainda mais nesse processo”, conta o estudante, sem esconder a emoção.


“Animado”

De olho no sonho, João Victor buscou livros, músicas e séries em inglês, sozinho, desde criança, para aprender o idioma. Aos 14 anos, chegou a se matricular em um curso particular, mas teve de abrir mão porque a família não conseguiu custeá-lo. “O valor era muito alto, e tive que parar”, diz.

Ele afirma que, aos 15 anos, sentiu-se ainda mais entusiasmado para estudar fora do país após participar de uma feira de universidades em Brasília, em 2019. “Eu fiquei animado e me dediquei. Achei que passaria de primeira. Mas não foi bem assim”, lembra, ressaltando que, na época, conheceu Lucas De Nillo, um consultor e orientador de estudantes que buscam vagas no exterior, de que também teve muito apoio.


“Principais honras”

Em 2020, ele focou mais ainda nos processos seletivos de 15 universidades norte-americanas e passou por uma bateria de avaliação de cartas de recomendação, atividades escolares, artigos, pesquisa e projetos que ele apresentou. Também apresentou a nota 960 na avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que ele fez como treineiro. “Foi uma das minhas principais honras na minha candidatura”, afirmou.


No ano seguinte, porém, o jovem recebeu apenas a notícia de que ficou na lista de espera das unidades de Columbia e de Chicago, depois de cada uma das instituições receber, separadamente, cerca de 70 pedidos de bolsa. “Na época, senti que pelo menos me notaram”, diz. Sem perder o sonho de voar alto, fez o Enem de novo e conseguiu vaga para Serviço Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas insistiu na seleção para a NYU.


“Sorri, gritei”

Ele se organizou e chegou ao Rio de Janeiro no dia 26 de março deste ano. Foi antes para se adaptar à nova cidade e se preparar para as aulas, que começaram no dia 11 de abril. Quatro dias depois de chegar à capital fluminense, ele recebeu um e-mail da NYU com a confirmação de que foi contemplado com a bolsa milionária.

“Estava sozinho. Sorri, gritei, liguei para meus pais. Foi uma alegria sem fim”, diz, ressaltando que antes já havia verificado o e-mail para confirmar a veracidade da informação “Foi difícil acreditar”, afirma o jovem, que voltou para Goiânia após receber a notícia. Os pais dele precisaram fazer um depósito para a matrícula na NYU.

“Resiliência”

A jornada de João Victor até a conquista da bolsa milionária o ensinou algo muito além da sala de aula. “Resiliência foi o que aprendi neste ano. Sou grato até pelos momentos ruins, porque me deram ainda mais garra para acreditar no meu sonho. Muitas vezes, não conseguimos alcançar o que almejamos logo de primeira, mas precisamos continuar firmes”, assevera.

Com viagem para Nova Iorque prevista para agosto, um mês antes de começar as aulas na NYU, o jovem lançou vaquinha online para tentar arrecadar fundos e bancar outros custos que não estão incluídos na bolsa, como passagem, seguro saúde anual, transporte, além de outros materiais e atividades extras da universidade. “A vaquinha é uma força para conseguir cobrir custos que são bem exorbitantes, para não perder a oportunidade dessa bolsa gingante”, diz.

João Victor espera retribuir por tudo que recebeu com projetos que apoiem, por meio de consultorias, pessoas que têm o mesmo sonho dele. “Ao estudar, busco desenvolver ainda mais o senso de comunidade, que vai crescendo, e um ajuda o outro, em vez de ser apenas preparado de forma fria para o mercado de trabalho, visto só como mais um do sistema. Educação liberta”, afirma.


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Fonte: metropoles

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