top of page

Policiais que mataram ex-lutador de MMA em surto não estavam preparados, diz comandante


Ex-lutador de MMa José Carlos se ajoelha com as mãos na cabeça antes de ser baleado por PMs em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Coronel da PM afirmou que os militares não tinham outra opção a não ser atirar quando o homem se aproximou deles. Um vídeo mostra o momento dos disparos durante a abordagem, em Goiânia.

O comandante de policiamento da capital, coronel da Polícia Militar Durvalino Câmara, afirmou nesta quinta-feira (4) que os policiais que mataram o vigilante e ex-lutador de MMA José Carlos de Lima, de 48 anos, não estavam preparados para lidar com a imobilização de um homem em surto psicótico. Um vídeo mostra quando os militares disparam dois tiros na barriga do homem, que estava em surto.


Diferentemente de equipes como o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e a Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), os dois militares não receberam treinamento diferenciado para este tipo de ocorrência, conforme explicou o oficial.

"Aquela equipe não estava preparada para lidar com um indivíduo em surto psicótico e naquele porte físico. Lamentamos a morte da pessoa, que poderia ser evitada se tivesse a equipe certa naquele momento", esclareceu o coronel.

Ainda segundo o comandante, os dois militares atiraram em legítima defesa. "O policial masculino atirou em legítima defesa e a policial feminina atirou em legítima defesa de seu companheiro que estava ali", destacou.

Durvalino Câmara disse que no momento em que o vigilante passou por trás da viatura e se aproximou dos PMs, que tinham um muro como retaguarda, não havia outra opção a não ser atirar.


"Esse indivíduo, de porte físico avantajado, vai se aproximar de mim e correr o risco de tomar meu armamento?", questiona.

Segundo o comandante, os dois policiais serão enviados para avaliação psicológica porque participaram de uma ocorrência que foge da rotina. Depois da abordagem, eles foram afastados das ruas e prestam serviços administrativos.

"Foi instaurado inquérito para avaliar a conduta dos pms e será remetido ao judiciário para decidir ou não pela denúncia de homicídio ou se estão amparados pela excludente de licitude", ponderou Câmara.


Disparo para imobilizar

O coronel explicou que fazer disparos em membros inferiores com a pessoa em movimento é muito difícil e, por isso, os policiais não atiraram com o objetivo de contê-lo enquanto ele se movimentava pela rua.


"Uma hora ele estava deitado, outra ele levanta. Ele é instável o tempo inteiro. Ele vai embora, volta e sobe na viatura. Um disparo em movimento é muito difícil conseguir alvejar membros inferiores. Isso não nos é ensinado. Na dinâmica da rua, operacionalmente falando, é inviável", justificou.

O oficial pontuou que equipes especializadas neste tipo de contenção, como o Bope e a Rotam, foram chamadas, mas não deu tempo de chegarem antes de o homem se aproximar dos PMs.

Uso de remédios

A irmã de José Carlos disse que ele tinha parado de tomar os remédios que evitavam os surtos psicóticos.

“Ele parou de tomar os remédios, de teimosia, mas não pode ficar sem tomar o remédio. Aí ele deu [surto] dessa vez agora. Tinha muito tempo que ele não dava esses surtos porque tomava o remédio direito", explicou Joelma Coimbra.

O vigilante Jeremias dos Santos, amigo de José Carlos, disse que nunca viu ele ter um surto psicótico. "Nunca, até porque q eu tenho contato com o irmão dele na minha cidade. Se houvesse algo de anormal, eu já falava", comentou.

"Ali foi falta de preparação deles. Quem estava apavorado, doido ou surtado não foi ele, foi ela [PM], porque ele não estava com arma na mão, ela sim", ressaltou Jeremias.

g1 Goiás.

Comments


FORTE NEWS REAL.png

Mais Notícias

bottom of page