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“Conversa para boi dormir”, dizem bolsonaristas do QG sobre retirada de acampamento

Nessa terça (27/12), o GDF e o Exército firmaram acordo para retirada de bolsonaristas da frente do QG do Exército


Apesar do acordo firmado entre o Exército Brasileiro e o Governo do Distrito Federal (GDF) para a retirada do acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, na terça-feira (27/12), os bolsonaristas concentrados no local, na manhã desta quarta (28/12), negam haver um movimento de desmobilização e afirmam que a promessa é “conversa para boi dormir”.

Nessa terça (27), o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), disse que a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) conversa com o Exército para “acelerar a desmobilização”. De acordo com o chefe do Executivo local, já foram retiradas 40 barracas, e a ideia é que até o dia da posse, 1º de janeiro, haja redução “de forma natural”.


A reportagem do Metrópoles esteve presente no acampamento, também, na manhã desta quarta (28), e flagrou a retirada de uma tenda, bem como a movimentação menor de “patriotas” comparado às últimas semanas.

Um dos organizadores do movimento, identificado como Hélio, afirmou que o cansaço é a principal justificativa para a diminuição do volume de presentes. Bolsonaristas estão acampados há mais de 50 dias na frente dos quartéis em todo o país.

“Foi veiculado ontem que existe um esforço da parte do governo do DF para que até o dia 1º esteja tudo limpo, que não tenha nenhuma tenda. Conversa para boi dormir. Eles [a esquerda] têm vontade que isso aconteça, mas jamais vai se concretizar. Nós estamos aqui há quase dois meses e, em nenhum momento, tivemos nada da parte do Exército que sinalize que nós precisamos desocupar aqui. Não tem nada contra nós”, afirmou ao som de um alto-falante.


Ainda que haja tentativas de resistência e manutenção da ocupação da área por parte das lideranças, alguns bolsonaristas já não confiam tanto nas promessas de intervenção militar e impedimento da posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 1º de janeiro.

“Se não acontecer nada do dia 29 para o dia 30, é melhor levantar a barraca e ir embora”, anunciou um idoso presente logo após questionar se o Lula subiria na rampa do Planalto. “Eu já desanimei”, disse outro.


Assim como na visita da reportagem ao local, na última terça (27), é possível ver marcas de barracas em diversos pontos da área, dando sinais de que ali já esteve uma tenda e estruturas de ferro e lonas dobradas ainda no chão.

Mesmo com o início da desmobilização, a ordem da organização é de que os bolsonaristas mantenham as estruturas de pé. “Continuem as barracas e as tendas. Não vai acontecer nada. Ninguém vai mandar desmontar nada. Vai chegar mais gente nos próximos dias que precisarão delas”, reforçou outro organizador identificado como Márcio.


Buzinaço

Por volta das 9h desta quarta, poucos “patriotas” foram ao lado do QG para acompanhar o buzinaço promovido por ao menos quatro caminhoneiros ainda presentes.

Convocados ao som de uma buzina, a procissão era acompanhada de palavras de ordem. Ao fim do ato, celebraram com gritos de: “Caminhoneiro, guerreiro, do povo brasileiro”.


Faixas

Ao longo do acampamento, é possível perceber faixas com pedidos diretos de intervenção militar e apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL), como: “Bandido só tem medo de fuzil e tanque”; “Intervenção militar com Bolsonaro presidente “ e “Presidente estamos com o senhor! Deus, Pátria, Família e Liberdade” são alguns dos exemplos (veja imagens acima).

Nos primeiros dias de mobilização, havia uma tentativa de descolamento da imagem dos atos antidemocráticos e do presidente Jair Bolsonaro (PL), mas que sofreu mudanças ao longo dos últimos dias. Segundo os próprios organizadores, a diretriz da retirada das faixas que convocavam intervenção militar ou apoiavam Bolsonaro vinha dos militares do QG.

A reportagem questionou o Exército sobre a mudança de diretriz, mas ainda não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Fonte: metropoles.



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