Justiça Federal manda soltar dono da Choquei, diz defesa
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O criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, preso em operação que investiga supostas transações ilegais de R$ 1,6 bilhão, teve a prisão preventiva revogada, segundo o advogado Pedro Paulo de Medeiros, responsável pela defesa do influenciador. Apesar da decisão, até as 8h desta quinta-feira (14), ele seguia detido no Núcleo Especial de Custódia do Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, unidade de segurança máxima.
A decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região foi dada na quarta-feira (13). Raphael foi preso há quase um mês, em Goiânia, durante a Operação Narco Fluxo, que também prendeu MC Ryan SP, Poze do Rodo, entre outros. Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de atuar como operador de mídia de uma organização criminosa investigada de lavagem de dinheiro e estelionato digital, recebendo valores de outros investigados.
Em nota, a defesa de Raphael informou que as investigações não apontam Raphael como líder, coordenador ou responsável pela gestão financeira de qualquer organização criminosa, nem indicam participação direta em supostos crimes atribuídos a terceiros
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegou a decidir pela soltura de Raphael no fim de abril, mas a Justiça Federal em São Paulo aceitou um pedido da Polícia Federal e decretou novamente a prisão preventiva do influenciador, antes mesmo que ele deixasse o presídio.
A operação
A operação apura uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro em escala bilionária por meio de apostas ilegais, rifas digitais, empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e criptoativos.
No centro do esquema, a investigação aponta Ryan Santana dos Santos (MC Ryan SP) como principal beneficiário, com apoio de operadores financeiros, contadores, intermediários, empresas de marketing, produtoras musicais e plataformas de pagamento.
Ainda segundo o documento, a investigação é um desdobramento das operações Narco Vela e Narco Bet, e surgiu após a Polícia Federal analisar dados extraídos do iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado. A partir desse material, os investigadores identificaram uma estrutura financeira paralela usada para captar, fragmentar, ocultar e reinserir dinheiro no mercado formal.
Suposto envolvimento de Raphael
Raphael foi preso em 15 de abril, em um condomínio de luxo em Goiânia. Após ser levado para a sede da Polícia Federal, Raphael foi transferido para o presídio em Aparecida de Goiânia.
No pedido de busca e apreensão da 5ª Vara Federal de Santos, obtido pelo g1, consta que a função de Raphael 'consiste, em tese, na divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações'.
Segundo a investigação, Raphael recebeu R$ 370 mil de MC Ryan SP por serviços de publicidade. Do montante, R$ 270 mil foram identificados em movimentações entre 2024 e 2025 e R$ 100 mil como uma transferência vinda de uma pessoa desconhecida.
Na época da prisão, a defesa afirmou que Raphael não participava de organização criminosa. Sobre a quantia recebida, afirmou: 'Valores recebidos referem-se a serviços prestados'.
Quem é Raphael Sousa
Raphael possui 1,4 milhão de seguidores apenas em uma rede social. Ele costuma postar momentos de trabalho, vídeos de humor e viagens que realiza com amigos, além de encontros com outros influenciadores.
Já o perfil da 'Choquei' possui mais de 27 milhões de seguidores no Instagram. A página, que já realizou quase 74 mil postagens, é conhecida por publicar fofocas. Os posts giram em torno de celebridades e reality shows, além de memes e acontecimentos de grande repercussão, tanto no Brasil quanto no mundo.
Nota da defesa
A defesa de Raphael Sousa Oliveira, responsável pelo perfil Choquei, informa que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região revogou sua prisão preventiva, reconhecendo a inexistência de elementos concretos aptos a justificar a manutenção da medida extrema.
A investigação não atribui a Raphael papel de liderança, coordenação ou gestão financeira de organização criminosa, tampouco demonstra participação direta em eventuais ilícitos imputados a terceiros. Sua relação com os fatos investigados decorre exclusivamente da prestação de serviços publicitários regularmente remunerados, no exercício ordinário de sua atividade profissional.
A própria decisão judicial destacou a ausência de demonstração concreta de risco à investigação, à instrução processual ou à aplicação da lei penal, além do fato de sequer haver denúncia formal apresentada até o momento.
A defesa sempre sustentou que não é juridicamente admissível presumir responsabilidade criminal pelo simples recebimento de valores decorrentes de contratos de publicidade regularmente realizados, especialmente em um ambiente econômico no qual influenciadores, veículos digitais e plataformas de mídia celebram diariamente campanhas comerciais com inúmeros contratantes.
A revogação da prisão restabelece a liberdade de Raphael e reafirma a importância do devido processo legal, da presunção de inocência e das garantias constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.
Raphael continuará exercendo normalmente suas atividades profissionais à frente do perfil Choquei, colaborando com as autoridades e confiando na completa elucidação dos fatos ao longo da investigação.
Por Eliane Barros, g1 Goiás





















































